
O Dezembro Vermelho mobiliza a sociedade para a prevenção ao HIV, à aids e a outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Além de incentivar a testagem e o acesso ao tratamento, a campanha chama a atenção para os direitos das pessoas que vivem com HIV e para o enfrentamento da discriminação. No Brasil, o SUS oferece gratuitamente serviços de diagnóstico, prevenção e tratamento.
Embora frequentemente utilizados como sinônimos, HIV e aids têm significados diferentes. O HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico. A aids é o estágio avançado da infecção, quando as defesas do organismo ficam gravemente comprometidas. Com diagnóstico e tratamento adequados, uma pessoa pode viver com HIV sem desenvolver aids.
Prevenção combina diferentes estratégias
A prevenção ao HIV envolve medidas que podem ser escolhidas conforme as necessidades de cada pessoa. Entre elas estão o uso de preservativos, a testagem, o não compartilhamento de seringas e agulhas e o acesso às profilaxias pré e pós-exposição, conhecidas como PrEP e PEP.
A PrEP consiste no uso de medicamentos antes de uma possível exposição ao HIV, com avaliação e acompanhamento profissional. Disponível gratuitamente no SUS, ela previne a infecção pelo HIV, mas não protege contra outras ISTs, como sífilis e gonorreia. Por isso, os preservativos continuam sendo importantes no conjunto de cuidados.
Já a PEP é uma medida de urgência após uma possível exposição, como uma relação sexual sem preservativo ou com rompimento da camisinha. Para prevenir o HIV, deve ser iniciada o mais rápido possível, no máximo em até 72 horas, e utilizada durante 28 dias, conforme orientação da equipe de saúde. Não se deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento.
Testagem permite iniciar o cuidado mais cedo
A infecção pelo HIV pode permanecer sem sintomas por anos. Dessa forma, a aparência ou a ausência de sinais não permitem saber se alguém vive com o vírus. A testagem é fundamental para identificar a infecção e iniciar o tratamento no momento adequado.
O SUS disponibiliza testes para HIV, sífilis e hepatites B e C em serviços da rede pública, incluindo Unidades Básicas de Saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Como existe um intervalo entre a infecção e sua identificação pelo exame, chamado janela diagnóstica, um resultado negativo após exposição recente pode exigir nova testagem, conforme orientação profissional.
Tratamento e informação enfrentam o estigma
Os medicamentos antirretrovirais controlam a multiplicação do HIV e ajudam a preservar o sistema imunológico. Com acompanhamento e adesão ao tratamento, é possível manter a qualidade de vida. Pessoas em tratamento que mantêm carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o HIV por relações sexuais — princípio conhecido como “Indetectável = Intransmissível”. Isso não significa cura, e o tratamento deve continuar.
O HIV não é transmitido por abraços, apertos de mão, beijos, compartilhamento de copos e talheres ou pelo convívio cotidiano. Divulgar essas informações ajuda a combater o preconceito, uma das questões centrais do Dezembro Vermelho.
A campanha reforça que prevenção e cuidado precisam fazer parte da rotina durante todo o ano. Buscar orientação, conhecer as formas de proteção e garantir acolhimento às pessoas que vivem com HIV são atitudes que contribuem para uma resposta à infecção baseada em informação, respeito e acesso à saúde.



